sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Artigo: invasão das escolas e universidades pelo país.

As invasões das escolas e universidades públicas pelo país foram orquestradas por partidos políticos e movimentos ditos sociais, que se utilizam de alunos das instituições, em grande maioria sustentados por estas siglas para fazer política estudantil. Diversos exemplos do modus operandi desse movimento foram expostos pela mídia nos últimos meses.
Primeiro, a decisão de invadir prédios públicos e impedir o acesso às salas dos estudantes e professores não partiu dos alunos. Um pequeno grupo de alunos secundaristas e universitários, liderados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), se deram ao direito de impedir que os demais alunos acessassem os prédios das universidades e escolas de ensino médio para terem aulas. Dessa forma, milhares de estudantes e professores comprometidos com a melhoria da educação pública tiveram seu direito à educação violado por um grupo instrumentalizado, que diversas vezes recorre à violência e intimidação para tentar impor uma agenda política partidarizada ao país, de um projeto que vem fracassando, como nos mostrou o resultado das eleições municipais de 2016.
Segundo, diante do procedimento adotado e do caráter claramente político-partidário, as invasões em curso são ilegais e ilegítimas. Não há norma alguma que autorize as invasões de prédios públicos em detrimento do seu uso regular. Nesse sentido, essa forma de protesto chega a ser criminosa. Além disso, as assembleias (forma de escrutínio frágil, limitada e retrógrada) realizadas com objetivo de decidir acerca de invadir ou não determinado prédio público reúnem parcela pífia dos estudantes (na UnB, por exemplo, o quórum de 3% sequer foi atingido) e não há espaço para opiniões divergentes daquelas defendidas pelos líderes estudantis locais pró-invasão. As tentativas de legitimar suas manipulações da opinião do corpo discente chega a o absurdo de coletarem assinaturas de alunos após o término das assembleia, com o intuito de “garantir o quórum”, sem a menor segurança e garantia de que quem assina as listas é estudante da Universidade e não um forasteiro.
Terceiro, os professores que desafiam a caterva não raramente são obrigados a parar de dar aulas (os invasores exigem que os professores parem por causa de “greve estudantil”!) e os estudantes que querem estudar são forçados a sair de sala de aula sob gritos de ordem dos baderneiros, muitos dos quais sequer são alunos de alguma coisa. Definitivamente, essas invasões não contribuem em nada para melhorar a qualidade da educação brasileira.
Quarto, todas essas invasões comprometem os serviços mais básicos das escolas e universidades invadidas. Realizar os pagamentos de bolsas para estudantes em vulnerabilidade socioeconômica, empenhar salários e o pagamento das empresas terceirizadas, além da assinatura de contratos de estágio estão a mercê de um pequeno grupo que tampa seu rosto com camisas. O próprio fluxo regular do semestre e das atividades docentes está comprometido. Sua forma de ação não coaduna com o discurso que emprega. A democracia que bradam não lhes serve de preceito.
Por fim, assiste-se a criação de diversos grupos contrários a essas invasões, como o “Respeita Minha Aula” da Universidade de Brasília (UnB). Tais grupos são formados por estudantes e professores comprometidos com a garantia do mais básico preceito dos que defendem a qualidade do ensino nacional, a valorização da pesquisa e a realização da extensão universitária: o direito de exercer o ir e o vir, e de utilizar o espaço público para o seu verdadeiro fim, a produção cientifica e acadêmica. A pesquisa e a educação.
Bruno Henrique de Moura
Jornalista e estudante de Direito na Universidade de Brasília.
DRT: 10922/DF

Edinailton Silva Rodrigues
Economista e estudante de Direito na Universidade de Brasília.